Fonte: Gazeta do Povo
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O trânsito de Curitiba passará por uma série de mudanças nos próximos meses. A prefeitura lançou nesta semana um pacote de medidas que prevê desde a implantação de projetos educativos até a construção de novos binários na cidade. A idéia do pacote é fazer frente ao aumento exagerado de carros: são 200 novos veículos por dia entrando nas ruas curitibanas. “O trânsito se agrava a cada dia”, afirma o secretário municipal de Planejamento, Alceni Guerra (DEM).
A educação no trânsito será o primeiro quesito do pacote. Para a primeira fase, que tem início imediato, está previsto também um estudo para a organização do trânsito dos carrinheiros em horários de pico e ruas de grande fluxo de veículos. Ainda entre as ações de curto prazo, deverá ser investido R$ 1,5 milhão para melhorar o sistema de semáforos da cidade.
Um outro projeto prevê o repasse de informações do trânsito em tempo real para os motoristas. Segundo a diretora de trânsito de Curitiba, Rosângela Batistella, deverão ser instalados painéis eletrônicos em pontos de entrada e saída da cidade avisando como está o trânsito em determinado ponto, por exemplo. O secretário de Planejamento diz que para a efetivação do projeto, que prevê a criação de um Centro de Controle Operacional, deverão ser gastos cerca de R$ 30 milhões.
Algumas ações demorarão mais para ser implantadas. Para a correção geométrica de cinco trechos, por exemplo, será necessário investir R$ 1 milhão. Doze novos binários também fazem parte do pacote. Até 2010, os binários das ruas Julia da Costa com a Princesa Isabel (Batel), Jerônimo Durski com a Gastão Câmara (Bigorrilho), Costa Carvalho com a Euclides da Cunha (Batel) e Padre Germano Mayer com Camões (Hugo Lange) deverão sair do papel.
Estacionamento
O ponto mais polêmico, porém, será a proibição de estacionamento em algumas ruas, como a Avenida Silva jardim, a Avenida Brigadeiro Franco, a Rua Bento Viana, a Rua Ângelo Sampaio e mais oito que estão em estudo, a partir de setembro. Duas delas (Rua Ângelo Sampaio e a Avenida Brigadeiro Franco) já tinham restrições de estacionamento em alguns horários.
Proprietária da loja Portofino, situada na Ângelo Sampaio, Veridiana Dasko afirma que a proibição deve complicar as vendas, sobretudo para os estabelecimentos sem estacionamento próprio. “De uma forma ou outra, acaba repercutindo nas vendas do lojista”, diz.
Para André Guimarães, dono da Farmatotal, na Bento Viana, a nova norma surtirá pouco efeito sem uma mudança de mentalidade do motorista. “Acho que vai mudar pouca coisa. Vivemos em um país em que poucos respeitam a lei”, diz. Guimarães apresenta outra situação que ilustra a falta de respeito com a legislação: “Em frente da farmácia, há uma vaga para 15 minutos, com pisca-alerta ligado. Quase todos excedem esse tempo, mesmo com a fiscalização da Diretran”. Na opinião de Guimarães, o reflexo sobre as vendas deve ser mínimo: “No meu dia a dia, não chega a 10% o número de pessoas que estacionam para comprar”, diz.
Opinião pública Para o engenheiro civil Eduardo Ratton, professor do Departamento de Trânsito da Universidade Federal do Paraná (UFPR), as medidas que serão tomadas pela prefeitura são paliativas, mas importantes para ajudar a resolver questões pontuais. No entanto, acredita que iniciar por campanhas educativas será um passo positivo, pois pode ajudar a conquistar a opinião pública. Ele lembra que, quando tiraram o estacionamento da Avenida Visconde de Guarapuava, os comerciantes reclamaram.
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