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09/06/2010 - Brasil prepara modelo de segurança em estádios

Fonte: Jornal do Comércio – Porto Alegre/RS

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Além do financiamento das obras de preparação para a Copa do Mundo de 2014, o Brasil está dando início a outro debate: o modelo de segurança interna que será implantado nos estádios durante o Mundial de futebol em território nacional. A Polícia Federal (PF) e o Ministério da Justiça têm buscado introduzir o tema com o objetivo de formatar um projeto próprio, que leve em consideração experiências adotadas em diferentes partes do mundo.

“A Fifa determina que a área de segurança dentro dos estádios seja de responsabilidade privada. Ou seja, as forças públicas, como as polícias militares, ficariam responsáveis apenas pelo policiamento externo”, explica o coordenador de Controle de Segurança Privada da PF, Adelar Anderle.

No entanto, para implantar a determinação da entidade máxima do futebol, o País precisa redefinir alguns parâmetros legais. “Por enquanto, ainda não existe uma igualdade regional sobre essa questão para que se possa fechar um modelo único e adotá-lo em todo o Brasil”, comenta Anderle.

Para ampliar os horizontes, representantes da PF e de outras polícias estaduais estão na África do Sul para conhecer o sistema de segurança que será usado na Copa do Mundo deste ano. Só de agentes federais serão oito – da Brigada Militar, outros sete. “O modelo africano foi copiado da Europa. No retorno ao Brasil, vamos avaliar o que ele tem de bom para ver o que pode ser aproveitado por aqui.”

Segundo Anderle, a PF vem “amadurecendo” o debate com as polícias militares (PMs) e civis dos estados, bem como as discussões internas dentro do governo federal. “Temos grande respeito à tradição das PMs neste tipo de situação, em que adquiriram grande experiência. As polícias trouxeram outros dados para o debate, de forma que possamos repensar e criar um novo modelo brasileiro através de um consenso”, salienta.

O delegado lembra que ainda não existe no País um curso de formação para profissionais de segurança privada atuarem dentro de um estádio de futebol. “Quem controla a segurança privada no País é a PF. Por isso, temos que fiscalizar se as empresas que vêm atuando são cadastradas”. Ele cita o episódio lamentável que aconteceu em Curitiba, no final do ano passado. “Quando a baderna se instaurou dentro do campo, os seguranças contratados pelo Coritiba acabaram fugindo. Neste caso, nenhum deles era cadastrado na PF”, afirma.
É por situações como esta que o combate à informalidade, explica Anderle, é a principal meta do governo federal para garantir a segurança dos torcedores durante os jogos da Copa de 2014 no Brasil. “Queremos que o Mundial possa deixar um legado por aqui.

Quem sabe depois dele a gente possa contar com equipes privadas no interior dos estádios, liberando assim as forças públicas de segurança apenas para o trabalho externo”, projeta.
Realidades de seleções e clubes são diferentes, lembra dirigente colorado

Escolhido pela Fifa para sediar alguns jogos da Copa no Brasil daqui a quatro anos, o estádio Beira-Rio deve passar por uma série de adequações para atender às exigências da entidade máxima do futebol mundial. “Por enquanto, o foco das discussões está em cima das obras”, comenta o diretor de Administração do Sport Club Internacional, Alexandre Limeira.

Mesmo assim, o dirigente colorado acredita que o debate sobre o modelo de segurança interna dos estádios é válido. Reconhece que é importante para o País aproveitar “o legado” do evento da Fifa, mas aproveita para fazer uma ponderação sobre o futuro pós-Mundial: “Temos que levar em conta que são realidades diferenciadas. Uma coisa é a Copa do Mundo, onde há um tipo de torcedor diferente do tradicional. Já em jogos normais de clubes existe a questão da rivalidade e o envolvimento das torcidas organizadas.”
Limeira acha que uma partida de futebol de grande porte não pode ser considerada um evento de caráter privado, como muitos pensam. “Não dá para comparar com um show musical, por exemplo, pois somos regulados por uma série de leis federais”, argumenta. “É por isso que o próprio Estatuto do Torcedor diz que os órgãos públicos são responsáveis pela segurança. Para mudar isso, será preciso alterar a legislação”, prevê.

O diretor ressalta ainda que o Inter já utiliza o serviço de uma equipe de “orientadores” como forma complementar ao trabalho da Brigada Militar. “Em jogos de casa cheia, são cerca de 400. Mas eles não têm poder de polícia.”




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