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Fonte: Clipping de Noticias da AABIC (Associação das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios de São Paulo)
O aparato que traz a sensação de segurança aos moradores de condomínios fechados e residências de alto padrão não parece deter a ação das quadrilhas especializadas O publicitário Rafael Medina, morador de condomínio com cerca de cem casas, foi alvo de assaltantes e também perdeu a paz que buscava. Depois do assalto que aconteceu, o clima passou a ser de apreensão total entre os vizinhos. Eram reuniões e mais reuniões para que a segurança fosse repensada aqui dentro. Mudei para um condomínio para ter mais tranquilidade, mas não me sinto seguro. A facilidade com que os convidados dos moradores entram aqui, por exemplo, deixa claro que o acesso é muito fácil. Assim como são convidados, também poderiam ser ladrões, informou Rafael.
José Henrique Specie, professor da Faculdade de Direito da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas) e coordenador do curso de especialização em segurança pública, afirma que a proteção em torno dos condomínios e das residências de alto padrão, mesmo que reforçada, nunca é absoluta. O aparato de segurança dificulta a ação dos assaltantes, mas as administrações de condomínios precisam estar atentas para saber se os equipamentos que possuem estão realmente cumprindo o seu papel, diz o professor.
Polícia comunitária
Para o professor, mais do que equipamentos de última geração e homens bem treinados, a medida mais eficaz para diminuir os riscos de assaltos seria as autoridades investirem no policiamento comunitário. A Polícia Militar, por exemplo, poderia criar pequenos núcleos espalhados pela cidade. Isso possibilitaria um vínculo efetivo do policial com a comunidade onde ele atua. Com o sistema utilizado hoje, todos concentrados em apenas alguns batalhões, não existe essa identificação dos moradores com o policial. Quem se muda para condomínios busca exatamente isso, uma segurança mais personalizada. Mas é importante que se diga: se fechar em condomínios não é o que se busca como ideal para uma sociedade melhor, analisa. A ocorrência constante de assaltos a condomínios mostra que todos os funcionários, os condôminos e os demais interlocutores do setor (de condomínios) ficaram desatentos e esqueceram-se do principal: mesmo que cercados de aparatos de segurança, o importante é não dar oportunidade (aos ladrões), avalia Florival Ribeiro, consultor em segurança e instrutor da universidade do Sindicato da Habitação do Estado de São Paulo (Secovi-SP).
Um policial ouvido pela reportagem concorda. Atitudes muito simples de serem tomadas podem garantir mais segurança às pessoas e dificultar a ação dos ladrões. O que eles procuram é facilidade. Não basta cerca elétrica; sozinha, ela não resolve. É preciso ter um conjunto de itens de segurança. Combinar de acender a luz interna do carro ao chegar ao portão do condomínio, por exemplo, é uma forma fácil de criar um código com os vigilantes que estão na portaria. Quando o morador chegar e não acender a luz, o vigia pode perceber que algo está errado, afirma o policial.
A administração do condomínio ainda pode obter informações com a polícia sobre as ocorrências mais comuns no bairro onde o residencial está instalado. A informação também pode ser uma ferramenta importante de prevenção e proteção.
Despreparo
Outro fator que preocupa é o despreparo de muitos profissionais da área, cerca de 70% dos condomínios brasileiros, de médio e grande porte, que contam com vigilância armada, possuem contratos com empresas pouco qualificadas, o que potencializa ainda mais a chance de problemas.
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